No ano passado, em que a forte estiagem derrubou a produtividade no verão, os produtores de Primeiro de Maio, município a 75 quilômetros de Londrina, no norte do Paraná, foram salvos pelo milho colhido no inverno, que apresentou boas médias. E, no ciclo de verão 2024/25, em vias de ser concluído, se a soja não teve o ano que se esperava, voltando a ser prejudicada por falta de chuvas, pelo menos, no geral, os estragos não foram generalizados.
Conforme explica o gerente da unidade da Cocamar em Primeiro de Maio, Itamar Ansiliero, a média é de cerca de 50 sacas por hectare (120 na medida por alqueire), um cenário até de alívio considerando os números da temporada 2023/24, de 12 a 16 sacas/hectare (30 e 40 por alqueire).
Mesmo assim, a má-distribuição de chuvas ocorrida durante a fase mais crítica da soja, de enchimento de grãos, produziu resultados muito variados, com extremos entre 30 e 75 sacas por hectare (70 e 180 na avaliação por alqueire).
Regiões
Os solos de Primeiro de Maio são férteis, caracterizados pela terra roxa e podem ser divididos em três regiões: a que compreende a saída para Alvorada do Sul, uma outra em direção a Sertanópolis e a terceira ligando a Bela Vista do Paraíso. As propriedades localizadas nessa última, em síntese, foram as mais afetadas, devido a camada de solo raso e com afloramentos de rochas, segundo explica o gerente: “Quando falta chuva, esse tipo de solo geralmente seca mais rápido”.
No município como um todo, o produtor mais apressado, que não teve paciência de esperar pela chuva na fase de semeadura e decidiu implantar sua soja “no pó”, como se diz, acabou não tendo tanta sorte, pois ocorreram muitas falhas.
Milho já sofre
Com 491 cooperados, a unidade registrou o recebimento de 38 mil toneladas até agora. E se por um lado o milho do inverno passado e a recente safra de soja permitiram ao produtor respirar, a preocupação se volta agora para o milho do ciclo de inverno que foi semeado mais cedo. A cultura enfrenta outra vez o problema da escassez de umidade e o desenvolvimento vem sendo atingido, já se podendo estimar uma redução de produtividade.
Realidades diferentes
Em Jaguapitã, a 90 quilômetros de Primeiro de Maio, o desempenho da soja variou de acordo com duas realidades bem distintas no município, que é formado por solos argilosos e arenosos: onde as lavouras receberam mais chuva e onde elas faltaram.
No geral, a média do município é estimada em aproximadamente 45 sacas por hectare (110 na medida em alqueire). “Podemos dizer que surpreendeu positivamente”, avalia o gerente da unidade local da Cocamar, Wellington Lopes Medeiros. Isto porque, segundo ele, as lavouras pareciam “derreter” durante o veranico ocorrido entre o final de dezembro e meados de janeiro.
Onde ocorreram precipitações foram mais volumosas, o que corresponde a 30% das áreas, a média de produtividade variou entre 60 e 62 sacas por hectare (respectivamente 140 e 150/alqueire), quase o dobro em comparação às 33 sacas por hectare (80/alqueire) colhidas onde choveu menos.
Boas médias
O cooperado Vanderlei Leonardi, cuja família cultiva 186 hectares entre terras próprias e arrendadas no vizinho distrito de São Martinho e em Prado Ferreira, já colheu toda a soja e finalizou a semeadura de milho. Reconhecido pelo nível tecnológico que adota, Leonardi registrou uma média de 65 sacas em São Martinho (157/alqueire) e 62 sacas em Prado Ferreira (150/alqueire). “Apesar do clima, tinha potencial neste ano para conseguir mais”, lamenta.
Com 300 cooperados, a unidade de Jaguapitã deve finalizar o recebimento em 18 mil toneladas.