Após um início complicado, soja pode ter uma colheita melhor que a esperada

06/01/2026

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Baixas temperaturas, estiagem, granizo e chuva em excesso. Se, por um lado, a safra de soja 2025/26 começou de forma preocupante com problemas climáticos em parte das regiões atendidas pela Cocamar, no Paraná, de outro, uma boa notícia: há indicativos de que o ciclo das lavouras pode terminar melhor do que se previa.

As chuvas, nos últimos meses, têm sido mais regulares, o que vem deixando os produtores animados e confiantes quanto a uma colheita até mesmo acima de suas projeções.

“Ainda não tem nada garantido”, advertiu no dia 6/1, à equipe do Rally Cocamar de Produtividade, o cooperado Valdomiro Peres Júnior, o Carneirinho, no município de Terra Boa, a 85 quilômetros de Maringá.

Ciclo prolongou

A cautela de Carneirinho, que é engenheiro agrônomo, se justifica: o comportamento do clima causou um prolongamento do ciclo da cultura. Normalmente, em janeiro, quase toda a lavoura chega ao estágio de enchimento de grãos. Desta vez, no entanto, parte considerável ainda se encontra na chamada fase de “canivetes”, de formação de vagens.

Carneirinho, o filho Pedro, o irmão Valter e o sobrinho Tiago possuem cerca de 1.570 hectares naquela região, onde cultivam grãos, mandioca e mantêm aviários.

Granizo

Ele conta que a semeadura ocorreu em outubro e fatores como o frio durante a primavera acabou dificultando o desenvolvimento da cultura. No entanto, o pior momento foi quando 480 hectares sofreram danos em razão de uma intensa chuva de granizo, o que os obrigou a replantarem uma parte.

Expectativas animadoras

Contudo, com o clima mais favorável a seguir, a soja apresentou capacidade de recuperação e a expectativa de Carneirinho é de uma colheita por volta de 62 sacas por hectare (150 na medida em alqueire), em média, nada mau para uma região de solos arenosos. A família é atendida pelo técnico Ademir Caetano, o Mirim, da unidade local da Cocamar.

Manejo sustentável

As boas práticas adotadas pelos Peres contribuem para esse desempenho. Eles têm a tradição de investir no manejo sustentável do solo com capim braquiária, o que ajuda a romper a compactação da camada superficial, entre outros benefícios, como a melhor infiltração da água da chuva. Além disso, rotacionam a soja com mandioca e destinam para a lavoura todo o resíduo de dez aviários, mantendo o solo rico em matéria orgânica.

Após sustos, o clima firmou

Em Cianorte, o Rally esteve com o cooperado Luiz Henrique Pedroni, cuja família cultiva 435 hectares no município. Ele conta que a safra começou, para ele, com granizo num dia e uma chuva muito volumosa no outro, situação que afetou 218 hectares. Desses, Pedroni replantou 97 e vem conduzindo o restante.

Ele também é conhecido por suas boas práticas, em especial o manejo do solo, que inclui a braquiária. Desta vez, por conta dos problemas climáticos no início, o produtor comenta que investiu em um tratamento hormonal para reforçar o desenvolvimento da lavoura, recorrendo à linha de produtos Viridian, da Cocamar.

“O que se investe em tecnologia, dá retorno”, diz Pedroni, que está na expectativa de colher a média de 58 sacas por hectare (140/alqueire) na área prejudicada pelas intempéries e de 70 sacas por hectare (170/alqueire) onde as lavouras não foram atingidas.

Segundo ele, um problema que tem sido recorrente, na soja, é o nematoide, causador de perdas importantes de produtividade.

Atraso de 20 dias

Como o produtor tem o hábito, como esporte, de percorrer as estradas rurais de motocicleta, nos finais de semana, acaba observando as lavouras e sua constatação é de um atraso no ciclo de pelo menos 20 dias.

De acordo com o engenheiro agrônomo César Augusto Caetano, da unidade da Cocamar em Cianorte, atualmente 55% das lavouras do município estão em fase de enchimento de grãos, 44% em florescimento e 1% em desenvolvimento vegetativo.

Sobre o Rally

Em sua 11ª edição, o Rally Cocamar de Produtividade conta com o patrocínio da Corteva, Sicredi Dexis, Fertilizantes Viridian e Nissan Bonsai Motors.

Autor: Imprensa Cocamar